• Luana Nodari

Qual a diferença entre doença psicossomática e somatização?



Falamos em somatização quando há um sinal, no corpo, de alguma irregularidade. A tendência é que busquemos explicações que atrelem o desconforto a uma causa orgânica. Mas, quando investigamos o sintoma por meio de exames laboratoriais, nenhum problema físico é encontrado.


Um exemplo bastante útil para ilustrar a somatização é o que ocorre quando sofremos um ataque de pânico.


Nessas circunstâncias, experimentamos uma série de mal-estares físicos — como dor no peito, ondas de calafrios, batimentos cardíacos acelerados, tremores e falta de ar.


Naturalmente, imaginamos que esses sintomas indicam algo de errado com a saúde. E vamos ao médico. No entanto, por mais que o profissional procure, não encontra razões orgânicas que justifiquem o episódio.


Por quê?


Porque, apesar dos sinais terem atingido o funcionamento do corpo, sua causa está localizada no funcionamento da mente.


As doenças psicossomáticas (transtorno de somatização) correspondem à persistência dos sintomas — quando os fatores emocionais desencadeadores não são descobertos e tratados adequadamente.


Crises de enxaqueca, alergias na pele e problemas no intestino — crônicos e sem evidência de causa orgânica — seriam exemplos de doenças psicossomáticas comuns que poderíamos mencionar para clarear o conceito.


Como evitar a somatização?


A prevenção da somatização é complexa, pois precisamos entender que resulta de uma conexão entre corpo e mente (pensamentos, emoções e sentimentos). Logo, a chave para lidar com sintomas somáticos está na investigação de nossas reações e comportamentos diante dos eventos cotidianos.


Ou seja, como interpretamos as circunstâncias propostas em nosso dia a dia?


Vamos usar um exemplo de somatização absolutamente natural, conhecida por todos: o choro.


Perceba, as lágrimas são um sintoma físico, mas não significam algo de errado com os olhos e, sim, uma manifestação da tristeza, processada pela mente.


Agora, pergunte-se: por que alguns filmes levam pessoas a chorar copiosamente enquanto outras se mostram indiferentes à mesma obra?


Ora, porque o filme representa coisas distintas para ambos os grupos. Dialogam de modo diverso com as referências prévias de cada indivíduo. Bem como sua disposição de envolvimento com a proposta da ficção.


Pois bem, essa mesma premissa se aplica nos diversos casos de somatização.


Portanto, ainda que duas pessoas desempenhem exatamente a mesma função profissional — por exemplo — uma delas pode desenvolver alopecia (queda de cabelo) enquanto a outra se vê isenta de efeitos colaterais físicos do trabalho.


Nesse caso hipotético, a forma como cada indivíduo administra o estresse da função será determinante para a ocorrência (ou não) da somatização negativa.


Dessa forma, para evitar a somatização devemos rever o significado que atribuímos às nossas experiências, desenvolvendo hábitos e perspectivas que favoreçam o bem-estar psicológico.


Como se livrar de doenças psicossomáticas?


Uma vez que a somatização se instaure como padrão indesejado — ocasionando a doença psicossomática — é necessário encontrar suas origens em aspectos que interferem na estrutura da saúde emocional.


Terapia medicamentosa, com analgésicos, antidepressivos, ansiolíticos, anti-inflamatórios e anti-histamínicos podem atenuar queixas dos pacientes frente aos sintomas. Contudo, eles são insuficientes para promover a cura do problema, já que não resolvem as causas do distúrbio.


Em resumo, podemos dizer que a análise psicológica é a estratégia elementar para quem deseja se livrar de doenças psicossomáticas.


Um clínico geral não está apto a realizá-la. Portanto, a busca por um psicólogo é a solução ideal, visto que sua especialidade é centrada no diagnóstico e tratamento dos fatores responsáveis pela somatização.


Terapia cognitivo comportamental (TCC) é indicada para o tratamento de doenças psicossomáticas?


A terapia cognitivo comportamental é uma intervenção bastante indicada para quem sofre com doenças psicossomáticas. Afinal, sua abordagem tem direcionamento prático, que fornece ao paciente ferramentas para melhor gerenciar sua condição mental.


Para entender melhor como (e porque) a TCC funciona, é interessante observar os termos que dão nome à terapia:


Cognitivo


Refere-se ao processo de aquisição de conhecimentos, aprendizados e memórias.


Ocorre por meio de habilidades intelectuais distintas (como raciocínio e percepção), mediadas por nossas experiências.


Comportamental


Aquilo que diz respeito às nossas atitudes, hábitos, escolhas e posturas frente aos contextos nos quais estamos inseridos.


A terapia tem o objetivo de encontrar as conexões entre essas esferas, averiguando quais conhecimentos (estabelecidos em forma de pensamentos e crenças)

repercutem em nossas emoções e comportamentos. E vice-versa.


Por intermédio de metodologia específica (e científica), a terapia cognitivo comportamental consegue identificar quais são os padrões de pensamento e comportamento disfuncionais (inúteis e/ou inadequados) que acabam gerando prejuízos à saúde física e mental.


E, uma vez que esses padrões são diagnosticados, é possível interrompê-los, os substituindo por alternativas mais assertivas.


Ora, se compreendemos que a somatização (e respectivas doenças psicossomáticas) resultam de mecanismos de enfrentamento falhos, ao corrigirmos o curso das reações automáticas — conduzindo-as para soluções adaptativas de melhor performance — encontramos a resposta para nos livrarmos de seus transtornos.


Outras perguntas sobre somatização e doenças psicossomáticas


Não é pretensão deste texto esgotar dúvidas relacionadas à somatização e doenças psicossomáticas!


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Luana Nodari

Psicóloga
Neuropsicóloga

 

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