• Luana Nodari

Espontaneidade: a chave para uma vida mais leve

Atualizado: Jan 29



Quando a espontaneidade encontrou vez, em sua vida, nas últimas 24 horas?


Essa pergunta, aparentemente simples, é — na verdade — uma preciosa provocação.


Tire um tempo para pensar sobre esse questionamento.

Revise suas ações e escolhas.


Não descarte nenhum aspecto. Evite procurar por eventos grandiosos ou atos pitorescos. É nos detalhes e sutilezas que nos revelamos mais.


Por acaso fez um percurso diferente ao ir para o trabalho? Vestiu uma peça de roupa que, há muito, esperava a oportunidade de estreia? Ousou experimentar um sabor desconhecido ao pedir sua refeição? Arriscou começar a assistir a uma série, da qual nunca ouviu falar?


Esses exemplos podem parecer bobos. Porém, quando nos damos conta que respondemos “não” a todas as alternativas, quando buscamos por um momento espontâneo — desapegado de padrões — e não chegamos a um mísero resultado, é interessante pensarmos nos motivos.


Mas por que refletir sobre isso? Qual a importância da espontaneidade, afinal? Descubra, na continuidade deste texto!


4 razões para você cultivar a espontaneidade


Em primeiro lugar, vamos deixar muito claro: espontaneidade não é sinônimo de excentricidade ou imprudência.


Não se trata de subverter sua essência. Mas, sim, reencontrá-la.


Agir de forma espontânea significa adotar uma atitude natural, que espelha uma vontade sincera. É ceder a uma curiosidade legítima e despreocupada da excelência de resultados. É acolher o risco, aceitar a dúvida, interrompendo o padrão do “testado e aprovado”.


Basicamente, o contrário do que fazemos no dia a dia, quando nos deixamos guiar pela praticidade dos hábitos.


A repetição, certamente, economiza energia. Respostas automáticas são eficientes, pois evitam imprevistos, conferem agilidade e emprestam uma sensação de segurança.


Mas você precisa se perguntar: o que está perdendo quando para de dar chances às diferentes opções?


Sugerimos que comece considerando os seguintes argumentos:


1. A espontaneidade desenvolve sua autoconfiança


Adquirimos autoconfiança quando nos colocamos à prova. Não há progresso na zona de conforto.


Precisamos da novidade para romper limites, descobrir diferentes habilidades e — por que não — preferências mais autênticas.


Isso não significa que você precisa dizer “sim” para todas as oportunidades.


Siga sua curiosidade. Escute sua vontade. A questão é não reprimi-las, por mero temor de insatisfação ou julgamento alheio.


Certamente, você ficará frustrado em alguns momentos.


Mas a coragem de encarar o desconhecido lhe deixará mais seguro e animado, diante de outros desafios.


Lembre que ser autoconfiante não é ter certeza do sucesso: é não ter medo do fracasso. Tropeço é virtude de quem ousa caminhar!


2. Ser espontâneo enriquece sua experiência de vida


Diga: como espera ampliar seu repertório de conhecimento se está estagnado em referências familiares?


Vez ou outra, você precisa desbravar o território da novidade!


Permita-se abrir portas que costuma ignorar.


Dê oportunidade a conversas com estranhos. Visite um lugar que lhe instiga, mas sempre deixa para depois. Troque de restaurante. Mude o corte de cabelo. Altere a disposição dos móveis em sua sala.


Enfim, interrompa a programação normal.


Ouça sua intuição e percorra o inusitado. Você se sentirá mais ativo, desperto, vivo!


3. Aderir à espontaneidade reduzirá sua ansiedade


Somos ansiosos porque desejamos prever o futuro. Queremos ter certeza de que tudo está sob controle e seguirá conforme o planejado. Portanto, é importante contar com planos bem específicos, aos quais não faltem detalhes.


Mas todo esse preparo, sabemos, não é garantia de sucesso.


Lógico, planejar também é essencial. O problema é quando queremos enquadrar todas as ações do cotidiano num esquema preestabelecido.


A espontaneidade convoca à experiência do presente, tal como ele se apresenta. Evita que a rigidez de nossos planos nos abata, diante dos inevitáveis imprevistos.


Não há como controlar o fluxo dos acontecimentos. Passar horas antevendo cada atitude, elaborar respostas prévias para supostas dinâmicas do dia, apenas nos deixa estressados, preocupados e inflexíveis.


4. Espontaneidade promove criatividade


Você deve conhecer a expressão “sair da caixa”, utilizada para propor pensamentos inusuais, que conduzam a soluções inovadoras.


Pois bem, a espontaneidade é crucial para que se alcançar esse objetivo.


No vício das repetições, não há espaço para o diferente. Presumimos o que é bom, belo e funcional, boicotando a capacidade de ver além.


Quando somos espontâneos, reinventamos o sentido das coisas. Incentivamos nosso cérebro a fazer conexões experimentais, incertas e, por isso mesmo, criativas.


Desconfie de suas convicções, gostos e gestos mecânicos. Pequenas modificações nos padrões são suficientes para incitar revoluções de costumes. E tirar você da clausura da caixa.


Agora, atenção: não estamos afirmando que você deve descartar todos os seus hábitos em nome de um “espírito de aventura” ininterrupto. Isso nem sequer seria espontâneo!


A ideia que defendemos é um equilíbrio. Uma abertura para mudanças e oportunidades, quando essas lhe parecerem convidativas.


Paradoxalmente, a espontaneidade não é automática. Deveria ser, já que equivale a impulsos naturais. Contudo, o apego a regras sociais, condicionamentos e o medo das opiniões alheias costuma nos engessar.


Logo, você precisa praticar ser espontâneo. Desenferrujar! Aprender que tais escolhas não acabarão com sua reputação e não representam riscos ao seu proveito da vida.


Então, você aceita mais uma sugestão? Exercite sua espontaneidade, assim como exercita seu corpo. Dê a ela um ambiente oportuno, onde poderá se desenvolver sem receios.


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Luana Nodari

Psicóloga
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